Veja histórias de 6 investidores que vivem do mercado e saiba como chegar lá

Publicado em: 16/07/2018 13:08

Veja histórias de 6 investidores que vivem do mercado e saiba como chegar lá

Brasileiros que largaram seus empregos para viver da renda obtida com investimentos contam como conseguiram

SÃO PAULO - Livrar-se do chefe chato, das longas jornadas de trabalho e do salário insatisfatório é o sonho de muita gente. Para quem não nasceu em berço de ouro, pode parecer impossível atingir a liberdade financeira – a não ser por meio da Mega Sena. Mas mudar de patamar sem depender da sorte não é algo impossível. Na verdade, centenas de brasileiros realizam esse sonho todos os dias. Para o empresário e especulador Tiago Piedade, que aos 24 anos abandonou um emprego formal, há um caminho para que todos possam dar uma reviravolta na vida financeira: os investimentos. Hoje aos 30 anos, Piedade mora em um belo condomínio em Botafogo, no Rio de Janeiro, e se dá ao luxo de viajar quando quer para onde quer. Conheça a história dele e de outros 5 investidores:

Tiago Piedade Aos 30 anos, Tiago Piedade possui ativos que lhe permitem manter “um padrão de vida acima da média nacional”. Sua remuneração mensal alcança R$ 15 mil, além de um bônus de aproximadamente R$ 45 mil a cada três meses – dependendo de sua performance na gestão dos investimentos. O ex-estudante de direito hoje é proprietário da GNT Investimentos e especulador. “Meu pai sempre foi funcionário da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e os termos do mercado estavam presentes no meu dia a dia. Por isso, quando completei 18 anos e meu pai me deu R$ 20 mil para comprar um carro, eu disse que preferia colocar aquele dinheiro em uma aplicação financeira. Seguindo as orientações dele, optei por um fundo atrelado ao Ibovespa. A Bolsa subiu bem, tive um bom retorno o que fez eu me interessar de vez pelo mercado financeiro.”

Em 2006, aos 24 anos, Tiago decidiu se dedicar somente à especulação. “Meu pai sempre dizia que quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. Ele mesmo só ganhou dinheiro quando pediu uma licença na CVM e foi investir. Então, ele me apoiou em minha decisão.” O investidor conta que, ao contrário do clichê, no começo foi fácil. “A Bolsa só subia.” Mas hoje a situação é muito diferente. “É preciso muita disciplina e há um grande sacrifício emocional. É desgastante, você dorme preocupado, tem dia em que você nem dorme. Mas quem quer um patrimônio, certa estabilidade, poder viajar para onde quiser, tem que fazer um sacrifício. Não é um mar de rosas, mas vale a pena.”

Uma das estratégias que adotou foi a de sempre buscar portos seguros para seus investimentos. “Eu aconselho ter um lastro. Você começa com R$ 300 mil, ganha dinheiro, tira dos investimentos de risco e coloca em um investimento sem risco. Porque isso fez diferença para mim. Em 2008, quando veio a crise, eu tinha esse lastro, comprei muito ativo barato e em 2009 já tinha quase dobrado o valor investido”, conta. “Depois disso, zerei parte da posição e comprei dois imóveis. Como o mercado acionário não foi bem em 2011, eu realizei os investimentos em imóveis, que subiram bastante, e voltei a comprar ações.”

Para ele, o investidor deve buscar sempre o timing ideal para acertar os movimentos. “Sempre há boas opções. Com a taxa de juros caindo, o governo incentivando a indústria, não há momento melhor para começar no mercado de renda variável. Essa é a hora de tomar risco”, acredita.

Investimentos: ações, imóveis, renda fixa

Fausto Alexandre Mazine Apenas sete anos se passaram desde que Fausto Alexandre Mazine começou a operar no mercado de ações. Aos 18 anos, trabalhando na empresa do pai, aproveitava cada centavo que ganhava para aplicar na Bolsa.

As primeiras transações foram feitas após ganhar R$ 1.500 para pintar apartamento do irmão. No começo, o foco era apenas o mercado de ações à vista. “Mas o retorno era lento, ainda não dava para viver só disso”, diz.

Em 2007, quando já fazia transações com opções sobre ações, veio a grande tacada. Ganhou quase R$ 100 mil com a disparada das ações da Petrobras, após o anúncio da descoberta de óleo na camada do pré-sal. Com mais dinheiro em caixa, decidiu viver de investimentos. “Falei para o meu pai o quanto conseguiria ganhar por mês operando sozinho. Ele disse que não conseguiria cobrir e eu comecei a me dedicar apenas aos investimentos.”

Aos 25 anos, Mazine considera que atingiu a independência financeira – o primeiro milhão ele alcançou em 2009. Como não tem emprego fixo, é ele quem estabelece as próprias regras e horários. Sempre que tem alguma boa oportunidade, aproveita para viajar e conhecer algum lugar diferente, desde que não atrapalhe sua atividade principal. “Na semana antes do vencimento de opções, não gosto de viajar. Praticamente 80% do meu ganho se concentra nessa semana”, diz. Férias mesmo ele só tira no final do ano. “O vencimento da última série [de opções] cai geralmente perto do dia 17 de dezembro. Saio de férias entre 17 de dezembro e 17 de janeiro, nunca operei a série A desde que comecei.”

Hoje vive com os rendimentos que consegue operando e aplica a maior parte dos ganhos em uma carteira de 25 ações que comprou pensando na aposentadoria. Mesmo já tendo juntado um bom dinheiro, o jovem não pensa em deixar essa vida. “Se planejasse direitinho, até conseguiria parar. Mas gosto de acordar todo dia para fazer isso”, afirma.

Investimentos: opções e ações

Marcelo Coutinho “Hoje tenho tranquilidade para fazer o que quero: comprar um apartamento, um carro, viajar ou pilotar um avião. Todo o esforço para chegar até aqui valeu a pena.” É assim que define sua atual situação financeira Marcelo Rahal Coutinho, sócio-executivo do YouTrade, empresa que tem a missão de profissionalizar investidores com base em conceitos estratégicos. Formado em engenharia, Coutinho diz que entrou no mercado financeiro “porque gostava de dinheiro”. Membro de uma família cujas empresas pediram concordata, desde cedo ele soube que não queria uma vida de privações.

“Em uma família árabe, a mesa é sempre farta. Quando as empresas da família entraram em concordata, quase não tínhamos o que comer. Isso foi a gota d’água”. Com R$ 50 mil provenientes do seu FGTS ele começou os investimentos que culminaram na sua independência financeira. “Acho que meu grande diferencial foi estudar a fundo e planejar. As pessoas não se dão bem na Bolsa porque querem ganhar dinheiro rápido. Não é assim. Estudei tudo que podia de Fibonacci [sequência de números descoberta por Leonardo Pisano, conhecido como Fibonacci, que, segundo muitos analistas, pode indicar os níveis de suporte ou resistência de um papel] e criei uma estratégia.”

Marcelo conta que, além dos R$ 50 mil iniciais, se esforçava para aumentar sua carteira de investimentos: “Juntar dinheiro é fundamental. Eu queria ganhar dinheiro e fazer render pouco dinheiro é mais difícil. Quando estabeleci um objetivo, não saía de um ambiente sem apagar a luz, por exemplo. Fiz alguns sacrifícios, mas que para mim valiam a pena. Eu sentia muito prazer de ver minha carteira de ações crescendo. Tinha mais prazer em comprar ações da Petrobras no mercado fracionado do que gastar R$ 300 na balada. Meu conselho é guardar tudo que se pode. Vale a pena dar uns passos para trás na questão do consumo para, anos mais tarde, poder dar vários passos para frente”, afirma.

Segundo ele, a estratégia é a chave do sucesso financeiro. “É planejar-se. Eu planejei por cinco anos minha saída da carreira de engenheiro para trabalhar com investimentos. Durante esse período, trabalhava como engenheiro de dia e no YouTrade da meia-noite às 6h, porque acreditava no projeto. A recompensa chegou: hoje posso fazer o que quero, na hora que quero.Tter essa liberdade financeira não tem preço.”

Investimentos: 100% de suas reservas em Bolsa

Daniel Vieira A empresa de informática de Daniel Vieira quebrou há dez anos. Após ter que vender quase todos os bens que possuía, ele teve que recomeçar, praticamente do zero, aos 35 anos. Foi nesse momento que começou a se interessar pelo mercado financeiro. “Eu fiquei meio perdido, já não era tão novo e levei um tombo tão grande que não sabia o que fazer. Foi quando descobri a Bolsa e pensei: aqui está algo que gosto de fazer, e posso ter um bom retorno”, diz.

Durante alguns anos observou mais do que operou, estudando tudo o que podia sobre análise de gráficos. “Passei os três primeiros anos sem ganhar praticamente nada, quase ‘pagando’ para aprender. Mas quando você aprende e começa a ter retorno com as operações, sua autoestima melhora muito. Foi isso que aconteceu comigo”, diz.

Com o passar dos anos, veio a experiência para criar a própria estratégia. “Um dos principais segredos é ter disciplina. Você tem que estipular limites de perdas e ganhos, e operar seguindo esse plano. Hoje em dia, se eu perco R$ 400 em um dia, paro de operar e só volto no próximo pregão”, conta.

O ex-empresário vive atualmente com o que ganha nas operações com ações no mercado à vista. Comprou um apartamento e diz que não troca essa vida por nada. “A Bolsa conseguiu arrumar a minha situação financeira novamente. Estava sem horizonte nenhum.”

Investimentos: ações

Flavio Sznajder Flavio Sznajder, sócio-fundador da gestora de recursos Bogari Capital, sempre gostou de investir em ações. Formado em engenharia e com aptidão para os números, começou a aplicar em 1993, mas levou quase dez anos até que descobrisse a estratégia adequada para seu perfil.

Ele conta que em 1998 comprou ações da Cyrela, que vendeu cinco anos depois quase sem lucro. No entanto, pouco tempo depois, as mesmas ações registraram valorização expressiva. “Isso me fez perceber que a estratégia estava certa, eu apenas não deixei tempo suficiente para a ação valorizar de acordo com o potencial em que eu acreditava. Gosto de investir no longo prazo, me identifico com a estratégia de valor (que busca ações com preço menor do que o justo)”, diz o gestor.

Com o retorno expressivo dos investimentos – entre 2003 e 2006 seus ganhos beiravam os 400% –, decidiu montar um clube de investimentos. Em 2007, com o sucesso do clube, deixou o cargo de diretor de investimentos que ocupava na Andrade Gutierrez Telecomunicações desde 2001 e criou a Bogari Capital. A estratégia de valor adotada por Sznajder tem se mostrado assertiva: desde a criação do fundo de ações Bogari Value FIA, seu retorno já atinge 1.127%*, ante 49,3% do Ibovespa no mesmo período. “O segredo é você descobrir do que gosta e procurar adquirir mais conhecimento”, conclui o gestor, hoje responsável pela gestão de R$ 300 milhões de cerca de 370 investidores.

*desde 2006, quando o fundo ainda era um clube de investimentos

Investimento: ações

Conrado Navarro O mundo dos investimentos sempre fez parte da vida do sócio-fundador do site Dinheirama Conrado Navarro. Na faculdade, investia o pouco que ganhava em renda variável. No entanto, a vontade de se tornar um empreendedor fez as poucas economias irem por água abaixo. “Nos tempos de faculdade, participei de dois negócios que não deram certo. Mas, diante dos fracassos, decidi voltar ao mercado de trabalho e aprender um pouco de gestão antes de empreender novamente.” Foi assim que o hoje especialista em finanças pessoais partiu para a vida corporativa e lá permaneceu durante sete anos. “Nessa época, eu pegava uma grande parte da minha renda para investir e levava uma vida frugal, sem muitos luxos e sem cogitar deixar o interior, onde sabia que o custo de vida era mais em conta”, explica.

“Mas para conquistar a independência financeira que eu tanto almejava, percebi que precisava de mais. Foi então que revi meus itens de consumo e minhas decisões financeiras, vendi meu carro, abri mão de alguns hobbies, vendi itens de coleção, desfiz uma sociedade e decidi que precisava começar a multiplicar meu dinheiro. Passei a organizar meu cotidiano financeiro. Estipulei metas de gastos para minhas principais necessidades e passei a anotar minhas receitas e despesas. Decidi aprender mais sobre investimentos e fiz diversos cursos. Criei metas de investimento claras e passei a investir de forma mais agressiva, não sem antes compor uma reserva de emergência. Com alguns sócios, participei de muitos negócios diferentes, compra e venda de carros usados, imóveis, terrenos, sociedade em pequenas empresas etc. Com o tempo, convenci esse grupo a focar em uma boa carteira de investimentos em ações e imóveis. Além disso, em meados de 2003, fui apresentado a um gestor de fundos de investimento em renda variável, uma alternativa de investimento até então nada popular. Coloquei cerca de R$ 50 mil lá e, a partir de 2005, ainda passei a aportar cerca de R$ 1.000 todo mês. A Bolsa realmente se mostrou muito interessante, e, em cerca de sete anos, o fundo rendeu mais de 850%. A grana literalmente deu cria.”

Investimentos: ações e renda fixa

Independência Financeira Mas afinal, o que é independência financeira? De quanto estamos falando? Para muita gente, ganhar o primeiro milhão já seria suficiente para jogar tudo para o alto. Mas com o atual custo de vida nas grandes cidades e a queda dos juros, isso ainda não seria suficiente para viver de renda por várias décadas. Para o educador financeiro Rafael Seabra, do site Quero Ficar Rico, conquistar a independência financeira significa não depender de salário para viver. Quando a soma dos rendimentos de seus investimentos e dividendos de suas ações atingirem o valor suficiente para suprir suas necessidades financeiras sem consumir o principal corrigido pela inflação, já é possível se considerar financeiramente independente. Mas como chegar a esse patamar? Acumular um belo patrimônio é o caminho óbvio. “Fazer render pouco dinheiro é muito mais difícil”, afirma Marcelo Coutinho.

Para viver de renda, também não é mais possível aplicar apenas em investimentos conservadores. Para o economista e diretor da Norfolk Advisors, Ricardo Torres, não dá para atingir a independência ficando restrito apenas às aplicações quase sem risco. “Com os juros em queda e a inflação que não cede, o ganho real do investidor que ficar apenas nos instrumentos tradicionais, como poupança e CDB, está próximo de zero”.

Tomar risco, porém, é uma arte. Com um perfil bastante agressivo, o investidor Fausto Alexandre Mazine conseguiu juntar seu primeiro milhão muito cedo, por meio de operações sofisticadas. Ele começou a investir em ações, mas logo percebeu que, com pouco capital, os ganhos não eram grandes o suficiente para ele se manter apenas com os lucros obtidos na Bolsa. Foi então que começou a operar com opções sobre ações, deixou o emprego e fez dinheiro.

Marcelo Coutinho concorda: “meu grande diferencial foi estudar uma teoria a fundo e transformá-la em uma grande estratégia. É comum achar que dá para ganhar dinheiro deixando os investimentos na mão da corretora, pegando apenas uma dicazinha aqui e ali. Não é verdade. É preciso pensar fora da caixa.” Obviamente que, para cada pessoa que ganha muito com opções, há dezenas de outras que perdem fortunas. Aos que não têm tempo, conhecimento nem coragem para se aventurar em operações mais complexas, o ideal é criar o hábito de poupar com disciplina. Os recursos poderão ser usados em aplicações de longo prazo ou de risco moderado e gerar um crescimento consistente de patrimônio. A própria renda fixa traz alternativas mais rentáveis que a poupança ou o CDB. “Apesar de terem um risco maior, as debêntures (títulos de dívidas de empresas privadas) são uma opção”, aponta Torres. Uma alternativa são os títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B – Notas do Tesouro Nacional série B) de prazo mais longo. Para os investidores que adéquam o prazo do título ao objetivo, o risco do investimento é baixíssimo. O economista garante que, além de não recuar, a inflação está dando sinais de aumento.

Os fundos imobiliários também devem fazer parte do portfólio do investidor que quer acumular patrimônio. “Esses fundos têm sua taxa atrelada aos aluguéis que recebem [e que são corrigidos pela inflação]”, diz Torres.

Para o analista da Wintrade Igor Graminhani, quem não vai usar o dinheiro em breve e tem um bom conhecimento de finanças deve olhar para o mercado acionário. Também será preciso alguma paciência e sangue-frio em momentos como o atual, de forte turbulência na Bolsa. Para quem não tem tanto conhecimento, nem tempo para analisar as empresas, os fundos de ações são uma boa opção, já que alguns oferecem retornos muito superiores à Selic.

Quanto preciso acumular?

Saber quanto precisa acumular para atingir a independência financeira é o primeiro passo para buscar esse objetivo. É importante lembrar que o valor vai depender do tipo de vida que a pessoa quer levar depois que conseguir juntar dinheiro suficiente para lagar o emprego. Além disso, também é necessário considerar qual a rentabilidade se pode conseguir deixando o valor em várias aplicações financeiras.

Gastos mensais: R$ 5 mil* Juros reais: 2% Patrimônio para independência financeira: R$ 3 milhões

Gastos mensais: R$ 10 mil* Juros reais: 2% Patrimônio para independência financeira: R$ 6 milhões

Gastos mensais: R$ 5 mil* Juros reais: 4% Patrimônio para independência financeira: R$ 1,5 milhão

Gastos mensais: R$ 10 mil Juros reais: 4% Patrimônio para independência financeira: R$ 3 milhões

*As simulações acima são usadas apenas para quem não pretende utilizar o principal, e sim apenas os rendimentos da aplicação ao longo da vida, e levam em consideração o rendimento bruto das aplicações, sem desconto de taxas ou impostos.

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